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Amizade

Sexta-feira, 10.06.16

 

 

Passamos a maior parte da nossa vida

todo um percurso

à procura de um lugar que sabemos existir

porque já nos aproximámos o suficiente 

para saber que existe

 

Dizem-nos que isso só nos livros ou nos filmes

e deixamos de falar nisso

Sabemos bem que depois de ver essa claridade

e sentir o seu calor

nada nos poderá confortar

não é essa a nossa natureza

 

Um dia o tempo pára

e cruza as suas linhas e voltas por um segundo

Somos de novo quem fomos um dia

a criança que sabia e que se projectava no futuro

 

Um segundo é quanto basta

para misturar as linhas e voltas do tempo

O amigo imaginário está ali

carne e osso

voz própria

ideias definidas

 

Somos dois agora

e é como se o mundo inteiro estivesse do nosso lado

e não do outro lado

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:12

Os meus anos 70 - límpidas ressonâncias

Terça-feira, 15.11.11

 

É nesses dias claros dos meus anos 70 que me reencontro com a limpidez do essencial, a claridade do essencial, a simplicidade do essencial. Essa simplicidade já não a encontramos facilmente. Mas já a vi em certos, raros, olhares. É essa inocência original que eu mais aprecio.

 

A primeira vez que ouvi Joni Mitchell foi em Big Yellow Taxi e All I Want. Adorei esta voz e esta lógica fora do habitual. Mas quem ouvir Joni Mitchell na fase do For The Roses percebe que há um lado muito inteligente e cúmplice na forma como pega nos grandes temas da vida. Isso é o mais refrescante destes anos 70, pelo menos como os absorvi.

 

Aqui vai a sua voz límpida, inteligente e sensível: Woman of Heart and Mind, Cold Blue Steel and Sweet Fire, Electricity, Blonde in The Bleachers. É tão difícil escolher...

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:50

Do Tempo das Descobertas: Biblioteca Municipal

Segunda-feira, 25.01.10

 

Sempre gostei de bibliotecas, das suas mesas alinhadas, dos seus suportes de madeira em cima e tudo. É assim que eu imagino esta biblioteca que descobri no Esquissos.

 

 

" Biblioteca Municipal

 
(escrito num intervalo de cinco minutos)

Andava a ler literatura russa. As portas da biblioteca municipal escancaravam-se e logo ele sentado na mesa de madeira transversal à estante. Cuidava que não podia deixar de existir sem entranhar as sábias palavras dos sábios russos. Portanto, deixou-se desvanecer dos propósitos sociais da vida, unha e carne com a lombada poeirenta dos livros expostos à espera que os avivassem. De vez em quando um funcionário preocupado com a sua alimentação ou falta dela trazia-lhe uma sandes de queijo. Ele aceitava, não desviando uma nesga a atenção das páginas pálidas de tão amarelas. Às sete e meia o segurança agarrava-lhe um braço e expulsava-o rotineiramente. No dia seguinte o ciclo recomeçava.
Ela apareceu nas últimas semanas da sua proeza, escondida debaixo dos óculos de massa pretos. Acariciava os livros com mãos delicadas, roçava-as nas capas dos romances. Escusado será dizer que da mesma e não raras vezes ingénua maneira, acariciava-lhe os lábios e a face em goladas de ar húmido. Pelo menos era o que, no instinto de macho sustido, o agoniava. Não se precipitou. Ao fechar o último livro tomou-a nos braços como carne impressa editada para ele. Acariciou-lhe os lábios e roçou-lhe a face. Afinal de contas, apenas tinham Dostoiévski, Tolstói e o resto dos sábios como testemunhas.  "

 
" Biblioteca Municipal II

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:10

Do Baú:

Segunda-feira, 13.04.09

 

 

Talvez eu não saiba as respostas

a tantas perguntas

 

E talvez as venha a descobrir

nas certezas mais simples

sorrisos  abraços  lágrimas

discussões sobre pequenos nadas

 

 

 


 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:43

Do Baú:

Domingo, 05.04.09

 

 

A solidão é tão reconfortante!

 

O silêncio

os livros

a lua cheia

a música

as árvores

o pôr-de-sol

o ar fresco da manhã

afagar o pêlo macio da Cleo

vaguear sem destino

escrever noite dentro

sentir a chuva cair

as noites de trovoada!

 

Ah, mas ler nos teus olhos

o amor e a ternura...

 

Não vale muito mais

a cumplicidade do amor?

 

 

 



 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:49

Do Baú:

Quarta-feira, 25.03.09

 

 

Na mais ténue incerteza

estava a razão de estar ali

naquele preciso momento

 

e as palavras eram ditas

como em pensamento

e as não ditas...

estavam-nos no sangue!

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:59

...

Sexta-feira, 21.11.08

 

Somos uma síntese única

de tudo o que vemos, ouvimos e sentimos

dos lugares e das pessoas

 

Tudo o que dizemos e fazemos

é uma forma de devolver ao mundo

o que o mundo nos dá

 

É essa a magia da comunicação

afinidades e cumplicidades

 

A proximidade no plano mental

ainda que à distância no plano geográfico

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:44

...

Terça-feira, 16.09.08

 

Habituamo-nos aos nossos autores, aos nossos compositores

aos nossos realizadores, aos nossos amigos

aos nossos hábitos

 

Andamos de certo modo condicionados a determinados padrões

e nem damos por isso

 

Convencemo-nos, por qualquer razão

que somos pessoas abertas e tolerantes

que olhamos realmente e vemos

que estamos atentos e ouvimos

mas só vemos e ouvimos

aquilo para que estamos previamente preparados

para ver e ouvir

 

De vez em quando há uns abanões nessa calmaria

mas não passa disso

Fala-se então de equilíbrio

que tudo volta ao equilíbrio desejável

como uma lei da Física

Nada me arrepia mais do que essa palavra

adaptada às pessoas

e à vida e aos relacionamentos

Precisamos de situações inesperadas

que nos acordem realmente

 

Para escapar à tentação de hoje pegar nos meus autores

mas lá acabarei por cair

peguei num livro, Escrever, de Marguerite Duras

que encontrei num Inverno de 94...




 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:10








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